Uns Fé Demais, Outros, Fé de Menos

Esta peça foi baseada num fato acontecido em 1972, numa pequena cidade do Norte Novo Paranaense. Escrevemos como único objetivo de participar do 7º Festival Nacional de Teatro em Londrina, num momento em que o teatro era feito somente para intelectuais. Ninguém ousava escrever peças de apelo popular. Os grupos só montavam os “clássicos” nacionais como O Auto da Compadecida, Morte e Vida Severina e trabalhos como de Glauco Gil, Pedro Block, além dos textos do Arena que estavam em voga, pois tinham medo de ousar. Para nossa surpresa os críticos e professores de dramaturgia que ministravam os cursos para os participantes do Festival, identificaram nosso trabalho como a proposta para o teatro amador brasileiro, pois, era a linguagem que se buscava para o teatro popular, a partir de fatos locais ou regionais.
Podemos caracterizar “Uns Fé de Mais, Outros, Fé de Menos” como uma farsa musical sertaneja. Sua montagem não carece de aparatos cenográficos, de iluminação e guarda-roupa. Sempre montamos esta peça usando como cenário duas mesas e meia dúzia de cadeiras e umas placas para identificarem os locais onde as cenas se desenrolam. A passagem de uma cena para outra é feita com a mudança da posição dos elementos de cena de um lugar para outro pelo próprio grupo, enquanto canta, baseados na experiência de duas peças do Arena de que participamos no Gruta de Arapongas.
Fomos fichados no exército por causa desse trabalho e sofremos algumas ameaças sutis de pessoas que compunham o “serviço nacional de deduragem”, porém, graças a Deus não passou disso.
Até hoje esta peça é montada principalmente por grupos amadores da região, pois, sem falsa modéstia é uma peça que complica de menos e comunica demais.

O Autor - Benedito Cândido da Silva

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